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Morreu a jornalista e ativista norte-americana Gloria Steinem
Ícone do feminismo e da luta pela igualdade de género, Gloria Steinem morreu na quarta-feira aos 92 anos, anunciou a fundação esta quinta-feira na sua conta de Instagram. Mais do que uma voz, Gloria foi um movimento. O movimento em defesa dos direitos das mulheres, pela igualdade de género e contra todas as desigualdades.
"Gloria Steinem morreu de forma pacífica na sua casa em Nova Iorque, rodeada pelos seus entes queridos", declarou a Fundação Gloria, sem especificar a causa da morte.
Num texto de homenagem publicado na rede social, a fundação destaca os "quase cem anos bem vividos" e dedicados "à luta pela igualdade até ao fim".
Começou a carreira como jornalista e destacou-se por uma reportagem de 1963 sobre as condições degradantes no império Playboy de Hugh Hefner. Uma investigação realizada sob disfarce de que se viria a arrepender mais tarde.
Acaba por mudar o rumo da carreira quando, em 1969, as mulheres se manifestaram corajosamente a favor do direito ao aborto. “Ou temos controlo igualitário sobre os nossos próprios corpos, independentemente do sexo ou da raça, ou não estamos a viver numa democracia.”
Acaba por mudar o rumo da carreira quando, em 1969, as mulheres se manifestaram corajosamente a favor do direito ao aborto. “Ou temos controlo igualitário sobre os nossos próprios corpos, independentemente do sexo ou da raça, ou não estamos a viver numa democracia.”
Escreveu nove livros, fez campanha contra a violência doméstica, a mutilação genital feminina, a indústria da pornografia e as guerras do Vietname e do Golfo. Em 1984, foi detida enquanto protestava contra o apartheid em frente à embaixada da África do Sul em Washington.
Foi um dos rostos de causas como Black Lives Matter, os direitos reprodutivos das mulheres, os direitos LGBTQ+ e o movimento Time's Up (movimento lançado a 1 de janeiro de 2018 por centenas de mulheres de Hollywood contra o assédio sexual).
Célebre autora e ativista que se tornou um dos símbolos mais visíveis e vozes mais poderosas do movimento feminista dos EUA, Gloria Steinem ia a todo o lado.
"O maior dom de Glória era a sua capacidade de ouvir os outros, de fazer com que se sentissem vistos e ouvidos", lê-se na página da Fundação.
Numa entrevista à Associated Press (AP), em 2015, reafirmou a paixão pela comunicação. “É um momento realmente fundamental” ouvir e ver.
"Não se pode fazer isto por telefone ou pela internet", disse ela à AP.
Numa entrevista à Associated Press (AP), em 2015, reafirmou a paixão pela comunicação. “É um momento realmente fundamental” ouvir e ver.
"Não se pode fazer isto por telefone ou pela internet", disse ela à AP.
"É preciso estar presente com todos os cinco sentidos. Deveria ser óbvio que as pessoas não conseguem sentir empatia umas pelas outras a menos que estejam no mesmo ambiente."
"As suas palavras, ações e o seu exemplo davam às pessoas permissão para serem quem realmente são. A Gloria viveu fiel ao seu espírito independente, sempre com curiosidade e um grande sentido de humor", recorda a Fundação.
Passou grande parte da vida a discursar em campus universitários, centros comunitários, comícios e manifestações.
"As suas palavras, ações e o seu exemplo davam às pessoas permissão para serem quem realmente são. A Gloria viveu fiel ao seu espírito independente, sempre com curiosidade e um grande sentido de humor", recorda a Fundação.
Passou grande parte da vida a discursar em campus universitários, centros comunitários, comícios e manifestações.
Foram décadas a denunciar a discriminação e a ultrapassar o medo profundo de falar em público. Se os editores da época estivessem dispostos a deixá-la escrever sobre o movimento feminista, ela teria ficado pela escrita. Como não tinham interesse “acabei por sair para falar em público, o que era o meu pesadelo”, disse. “Quer dizer, morria de medo. Mas estou grata por isso, mesmo que ainda sinta medo até hoje”, desabafou em 2015 na entrevista à AP.
Gloria Steinem faleceu pouco antes do lançamento de um livro de memórias previsto para este outono.